quinta-feira, 19 de setembro de 2013

2001: Uma odisséia no espaço. por Pedro Martins



Quando tinha uns 15 anos, meus pais me disseram: Pedro, você precisa ver esse filme, 2001: Uma odisséia no espaço, me falando do diretor, um Stanley não sei o que lá, me jogando tantas idéias que para a cabeça de um moleque cheio de espinhas, cabelo engruvinhado não esperava, resultado: assistiu metade do filme no fast foward, realmente a maturidade para assistir a tal filme veio depois. 


 Era um filme amedrontador, assistir sozinho com toda aquela música me deu arrepios, o medo da incerteza, de não saber o que eram aquelas coisas, queria que acabasse logo porque estava morrendo de medo, daquele desconhecido, do mistério, do espaço sideral e principalmente dessa razão humana auto destrutiva.

 Anos se passaram e continuo a ver esse filme sozinho inúmeras vezes, um objeto de estudo, uma obra de arte inigualável de um gênio do cinema. Todos aqueles signos o que representam? o que realmente é a realidade e o que é meramente um espaço onírico sem volta? A evolução do ser humano pula milhares de anos em frações de segundo, e estamos no espaço, num experimento científico para descobrir o que é aquele objeto não identificado que estava presente na Terra e em outros lugares do nosso Universo, tudo isso regido por um computador maligno que manipula tudo o que acontece na espaçonave que ira transportar até Saturno a equipe para uma viagem até o desconhecido.

 O monólito, ele tem propriedades magnéticas? se encontra um no solo da Lua, e os astronautas acabam se dando mal, uma espécie de ruído, uma interferência ensurdece dolorosamente, é provável que eles tenham morrido desse sinal, mensagem ou ruído. Afinal o que é o monólito? uma prova de que existem outros seres pensantes no Universo?Um rastro de outra era? de outros iguais a nós que vivam aqui antes? Um mistério, enfim, estamos indo até Saturno para isso, descobrir mais sobre esse objeto, mais sobre nós mesmos e sobre o Universo. O computador HAL controla toda a espaçonave, esse micro ambiente tudo arquitetado cuidadosamente para não ter falhas, exercícios físicos, dieta apropriada, maquinas para hibernar.

 Voltando um pouco para a arquitetura, no espaço sideral ela é muito específica, vídeo-telefones, acentos, móveis confortáveis, enfermeiras com cabelo colorido, um novo paradigma para experiências da forma, tudo é criado para ficar no seu devido lugar e nos fazer acreditar que é real, e parece.

 Uma pequena falha de um aparelho exterior na espaçonave desencadeia uma falha que o computador perverso calcula que não é possível completar a missão, e tem prioridade de preservação da nave para outra missão e desprezar a tripulação, ou será que isso já era programado para uma seleção de um escolhido para a viagem final?

 O astronauta consegue desativar o perverso computador central HAL, e recebe inúmeras mensagens de um teor de tortura psicológica apavorante, mas não dá a menor atenção, e no final recebe uma mensagem falando de sua missão sem precedentes na história humana.

 Nessa parte que entra o espaço onírico, os planetas alinhados e o monólito presente também, signos de cores, rastros de imagens, alucinações, uma realidade fora de nosso mundo, o que está acontecendo? A sonda espacial se desintegrou? entrou numa outra dimensão? está viajando no tempo-espaço, e o astronauta sofre com isso, seu corpo sofre de efemeridades do espaço sideral, congelado, e viajando numa velocidade incrível, parece que já se perdeu em algum lugar misterioso, um lugar desconhecido que não poderá mais voltar. Ele toma vinho num quarto branco e se vê derrubando a taça, está velho, cheios de rugas, vestindo um roupão, corte para ele deitado na cama, uma cama grande. Esse quarto tem objetos, esculturas de uma ordem clássica, móveis também, e detalhes roxos. O monólito aparece, e depois um feto humano, corte para a Terra e aparece esse mesmo feto numa espécie de comparação, o filme acaba.

 Muitas dúvidas surgem, acho que nada no final será explicado completamente, esse mistério, a possibilidade de criar hipóteses é incrível, o que o monólito é, a missão do astronauta rumo ao desconhecido, a mensagem misteriosa na central de HAL, muitos elementos que criam inúmeras possibilidades, é provável que seja uma evidencia que existe outros seres pensantes, ou que já existiram antes de nós no Universo, ou tudo isso foi colocado por um Arquiteto que criou todas as formas existentes em tudo que nós conhecemos e não conhecemos também.


 O passeio pelo espaço é muito complicado, muitas duvidas foram criadas e poucas respostas foram respondidas, se locomover por ele implica em muitas probabilidades, erros e tentativas, uma exploração sem fim, precisa-se estimular da maneira correta o propósito escolhido, cada instrumento tem que ser manipulado da maneira correta e causo isso não seja executado corretamente implica no erro.

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