Quando tinha uns 15 anos, meus pais me disseram: Pedro, você
precisa ver esse filme, 2001: Uma odisséia no espaço, me falando do diretor, um
Stanley não sei o que lá, me jogando tantas idéias que para a cabeça de um
moleque cheio de espinhas, cabelo engruvinhado não esperava, resultado:
assistiu metade do filme no fast foward, realmente a maturidade para assistir a
tal filme veio depois.
Era um filme
amedrontador, assistir sozinho com toda aquela música me deu arrepios, o
medo da incerteza, de não saber o que eram aquelas coisas, queria que acabasse
logo porque estava morrendo de medo, daquele desconhecido, do mistério, do
espaço sideral e principalmente dessa razão humana auto destrutiva.
Anos se passaram e
continuo a ver esse filme sozinho inúmeras vezes, um objeto de estudo, uma obra
de arte inigualável de um gênio do cinema. Todos aqueles signos o que
representam? o que realmente é a realidade e o que é meramente um espaço
onírico sem volta? A evolução do ser humano pula milhares de anos em frações de
segundo, e estamos no espaço, num experimento científico para descobrir o que é
aquele objeto não identificado que estava presente na Terra e em outros lugares
do nosso Universo, tudo isso regido por um computador maligno que manipula tudo
o que acontece na espaçonave que ira transportar até Saturno a equipe para uma
viagem até o desconhecido.
O monólito, ele tem
propriedades magnéticas? se encontra um no solo da Lua, e os astronautas acabam
se dando mal, uma espécie de ruído, uma interferência ensurdece dolorosamente,
é provável que eles tenham morrido desse sinal, mensagem ou ruído. Afinal o que
é o monólito? uma prova de que existem outros seres pensantes no Universo?Um
rastro de outra era? de outros iguais a nós que vivam aqui antes? Um mistério,
enfim, estamos indo até Saturno para isso, descobrir mais sobre esse objeto,
mais sobre nós mesmos e sobre o Universo. O computador HAL controla toda a
espaçonave, esse micro ambiente tudo arquitetado cuidadosamente para não ter
falhas, exercícios físicos, dieta apropriada, maquinas para hibernar.
Voltando um pouco
para a arquitetura, no espaço sideral ela é muito específica, vídeo-telefones,
acentos, móveis confortáveis, enfermeiras com cabelo colorido, um novo
paradigma para experiências da forma, tudo é criado para ficar no seu devido
lugar e nos fazer acreditar que é real, e parece.
Uma pequena falha de
um aparelho exterior na espaçonave desencadeia uma falha que o computador
perverso calcula que não é possível completar a missão, e tem prioridade de
preservação da nave para outra missão e desprezar a tripulação, ou será que
isso já era programado para uma seleção de um escolhido para a viagem final?
O astronauta consegue
desativar o perverso computador central HAL, e recebe inúmeras mensagens de um
teor de tortura psicológica apavorante, mas não dá a menor atenção, e no final
recebe uma mensagem falando de sua missão sem precedentes na história humana.
Nessa parte que entra
o espaço onírico, os planetas alinhados e o monólito presente também, signos de
cores, rastros de imagens, alucinações, uma realidade fora de nosso mundo, o
que está acontecendo? A sonda espacial se desintegrou? entrou numa outra
dimensão? está viajando no tempo-espaço, e o astronauta sofre com isso, seu
corpo sofre de efemeridades do espaço sideral, congelado, e viajando numa
velocidade incrível, parece que já se perdeu em algum lugar misterioso, um
lugar desconhecido que não poderá mais voltar. Ele toma vinho num quarto branco
e se vê derrubando a taça, está velho, cheios de rugas, vestindo um roupão,
corte para ele deitado na cama, uma cama grande. Esse quarto tem objetos,
esculturas de uma ordem clássica, móveis também, e detalhes roxos. O monólito
aparece, e depois um feto humano, corte para a Terra e aparece esse mesmo feto
numa espécie de comparação, o filme acaba.
O passeio pelo espaço é muito complicado, muitas duvidas foram criadas e poucas respostas foram respondidas, se locomover por ele implica em muitas probabilidades, erros e tentativas, uma exploração sem fim, precisa-se estimular da maneira correta o propósito escolhido, cada instrumento tem que ser manipulado da maneira correta e causo isso não seja executado corretamente implica no erro.

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