“Niandra Lades and Usually Just a T-Shirt”
é um álbum lançado em 1994,
pelo músico John Frusciante. Gravado entre 1991 e 1993, o
álbum apresentou para o mundo o estado em que John Frusciante se encontrava
após abandonar a carreira de sucesso (junto ao Red Hot Chili Peppers),
totalmente afundado nas drogas. Ele toca vários instrumentos como guitarra
elétrica, violão, banjo e piano. O vício em heroína e problemas com depressão
colocaram Frusciante em um momento de alta perturbação, deixado transparente em
“Niandra”.
Desde pequeno
sou admirador de John Frusciante, mas tive meu primeiro contato com o “Niandra”
apenas no ano de 2009. Acostumado com sua voz suave e músicas belas, que sempre
tratou de compor, fui pego de surpresa quando ouvi as primeiras faixas do álbum.
Há uma infinita falta de preocupação com a estética musical. Desta forma, o
disco foi incansavelmente criticado e rejeitado por muitos de seus fãs. Tentei,
com extrema dificuldade, digerir e decifrar as mensagens que Frusciante passava
com aquela música turva.
Muitos de meus
amigos recusaram-se a ouvir o disco até o final. Confesso que é assustadoramente
perturbador. Apesar de estar longe de algo considerado belo, “Niandra” teve a capacidade
de me atingir profundamente. No auge dos meus 17 anos, percebi o quanto a arte
(que eu conhecia) estava acorrentada ao belo. Frusciante me mostrou, naquele
momento, o contrário. Em um instante de extrema dificuldade, criou um disco
desprovido de beleza. E era esta sua real intenção. Quando me dei conta disso,
uma liberdade divina me tocou.
O sentimento
foi tão forte que, até o hoje, acho o disco belo. Meus amigos continuam o
reprovando. A beleza de “Niandra” está em não possuir beleza. E por isso é
completamente livre. Não foi feito para servir o ouvido do consumidor. Não foi
feito para agradar a indústria (tanto que foi lançado com o único intuito de “espetacularizar”
o estado mental desequilibrado que Frusciante se encontrava). Foi feito apenas
para ser livre, de modo que não poderia ter beleza maior. Pela primeira vez eu
tinha visto um artista fazer algo para não ser belo, e ao mesmo tempo ser capaz
de mudar completamente minha percepção de mundo.
Me recordo, ao
ouvir a faixa “Untitled #2”, de um sentimento que a linguagem não seria capaz
de transmitir, por isso nem me ousaria a tentar. Tudo o que posso dizer é que
era uma manhã nublada na praia das Pitangueiras, estava frio, e depois de
algumas (muitas) cervejas, sem nenhum tipo de documento, aparelho celular ou
dinheiro, apenas com a roupa do corpo, percebi que a beleza da vida estava no
ato de ser livre. Nenhuma experiência foi, até hoje, tão libertadora como esta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário