A maior e
mais importante experiência estética que já vivi foi a minha vida.
Pautada na
pós-modernidade líquida e fragmentada, fui uma grande mentira.
Como
naquele filme de Woody Allen, Zelig –
um homem que quando criança mentiu a respeito de ter lido um livro por ter
vergonha de assumir a verdade, passa a viver um distúrbio de falta de
personalidade e vira um camaleão humano, adaptando-se à realidade a sua volta,
com médicos ao redor, vira um médico, com músicos, um músico, e assim por
diante -, eu comecei na idade da pré-adolescência, fui me encaixando nos
estereótipos mais adequados,
compulsivamente inventando grandes histórias a meu respeito e sabedorias que eu
não tinha.
Até que em um dado momento – como grande parte da minha geração – fui atingida por uma onda TRASH, uma revisitação aos anos 80, de inconsequência e estupidez, queríamos ser Macaulay Culkin, loiros platinados, anoréxicos, viciados em heroína, vestindo roupas rasgadas e correndo feito loucos na pista da autodestruição.
Até que em um dado momento – como grande parte da minha geração – fui atingida por uma onda TRASH, uma revisitação aos anos 80, de inconsequência e estupidez, queríamos ser Macaulay Culkin, loiros platinados, anoréxicos, viciados em heroína, vestindo roupas rasgadas e correndo feito loucos na pista da autodestruição.
Ali estava
eu, a filha favorita dos meus pais, “inteligente”, “profunda”, afundando-me no Thin White Duke – música escrita e
interpretada por David Bowie referindo-se à cocaína -, depredando-me, desperdiçando a minha vida e meus neurônios
numa vontade de ser a versão feminina de Sid Vicious.
Lembro-me
perfeitamente de me olhar no espelho depois de uma noite um tanto pesada,
minhas narinas sangravam, meu cabelo não era meu, minha boca cortada de tanto
meus dentes passarem agressivamente por ali, eu estava morta. Viva, e no
entanto sem sopro algum de vitalidade, sem nenhum sinal de que eu iria voltar.
Forte como o seu vídeo de cinema expandido.
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