A partir do texto original de Franz Kafka, a companhia teatral Club Noir apresentou, pela primeira vez em 2010, a montagem de 'Comunicação a uma Academia'.
Diante de uma Academia, que simboliza todas as instituições dedicadas ao conhecimento (e que involuntariamente é representada por nós, a platéia), um macaco (a atriz Juliana Galdino) faz o relato de como se tornou humano.
Um guarda, calado,
coloca uma frágil linha divisória entre a platéia e o palco, posicionando-se na
lateral da cena com um rifle em mãos. Alguns segundos se passam e o personagem
principal entra, bípede, porém curvado, o ex-primata. A luz é escassa e sua
expressão é soturna. Durante o
espetáculo ele exalta-se e muda de lugar imperceptivelmente, no apagar das
luzes, ressurgindo muito próximo da platéia, que provavelmente não comporta mais de 40 pessoas.
Nesses momentos, o
guarda no canto do palco e macaco trocam olhares desconfiados, aumentando a aflição da
platéia.
'Será que já aconteceu algo antes? Um incidente?'
'Será que já aconteceu algo antes? Um incidente?'
A luz, a presença de um 'guarda', a proximidade do personagem com os espectadores, o cenário frio, a atuação impecável e, principalmente, a própria história sendo narrada, culminam em um ápice, um impacto sensorial e emocional.
Afinal, o infortúnio do macaco é o nosso, a troca de misérias é uma experiência que todos nós temos em comum com ele.
Bruno Loos


Já te falei né? Esse seu texto é um Jab certeiro
ResponderExcluirPróxima vez não tem desculpa, vou ver com certez
Já te falei né? Esse seu texto é um Jab certeiro
ResponderExcluirPróxima vez não tem desculpa, vou ver com certez