sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Macaco viu, macaco fez

A partir do texto original de Franz Kafka, a companhia teatral Club Noir apresentou, pela primeira vez em 2010, a montagem de 'Comunicação a uma Academia'.




Diante de uma Academia, que simboliza todas as instituições dedicadas ao conhecimento (e que involuntariamente é representada por nós, a platéia), um macaco (a atriz Juliana Galdino) faz o relato de como se tornou humano.

Um guarda, calado, coloca uma frágil linha divisória entre a platéia e o palco, posicionando-se na lateral da cena com um rifle em mãos. Alguns segundos se passam e o personagem principal entra, bípede, porém curvado, o ex-primata. A luz é escassa e sua expressão é soturna. Durante o espetáculo ele exalta-se e muda de lugar imperceptivelmente, no apagar das luzes, ressurgindo muito próximo da platéia, que provavelmente não comporta mais de 40 pessoas.
Nesses momentos, o guarda no canto do palco e macaco trocam olhares desconfiados, aumentando a aflição da platéia.

'Será que já aconteceu algo antes? Um incidente?'



A luz, a presença de um 'guarda', a proximidade do personagem com os espectadores, o cenário frio, a atuação impecável e, principalmente, a própria história sendo narrada, culminam em um ápice, um impacto sensorial e emocional.

Afinal, o infortúnio do macaco é o nosso, a troca de misérias é uma experiência que todos nós temos em comum com ele.

Bruno Loos

2 comentários:

  1. Já te falei né? Esse seu texto é um Jab certeiro
    Próxima vez não tem desculpa, vou ver com certez

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  2. Já te falei né? Esse seu texto é um Jab certeiro
    Próxima vez não tem desculpa, vou ver com certez

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