sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Laranjas Impressionantes

  Quando estava no Jardim de Infância tive uma professora, dessas “tias“ que marcam nossa história, que amava falar de arte. Lembro-me de me encantar com as imagens dos livros sobre Miró e Monet que ela fazia circular na sala. Naquele tempo eu não sabia de arte (muito menos sobre impressionismo ou surrealismo), mas me deleitava com aquelas figuras bonitas. O tempo passou... Eu cresci e deixei as artes pra lá, me tornei uma adolescente amarga que se escondia das dores do mundo atrás  de uma muralha de ironia e deboche. Me parece que quando chegamos aos treze anos somos acometidos duma angústia que nos impede de ver beleza naquilo que nos cerca.

  Todo esse lenga lenga tem por objetivo contextualizar um momento marcante nessa minha juventude transviada. Quando tinha quatorze anos fui a Paris visitar uma amiga que morava com a mãe na cidade luz. Como era de se esperar ela me levou para fazer todos os passeios turísticos clássicos. Fomos a Torre Eiffel, andamos pela Champs-Élysées, fizemos um piquenique no Jardim de Luxemburgo e fizemos uma visita ao cotado (e lotado) Louvre. Devo dizer que não me impressionei com o museu do Código DaVinci, estava interessada demais em comentar sobre o “cofrinho” da Vênus de Milo e passar na lojinha de presentes para perceber as maravilhas que me cercavam. Devo ter ficado um pouco mais de uma hora naquele museu antes que eu decidisse que preferia aproveitar o Sol. Na saída minha amiga falou que queria dar uma passada em mais um museu e eu, na ingênua esperança de eliminar todos os possíveis museus o mais rápido possível, concordei.




  Nunca havia ouvido falar do l’Orangerie, mas sua arquitetura charmosa me agradou. Entrei sem grandes expectativas, caminhamos por um tempo até chegar numa sala  arredondada com quadros enormes que prenderam minha atenção.  Acredito ter sido a primeira vez que parei para observar um quadro por vontade própria, até cheguei a me sentar diante de um deles, na tentativa de absorver uma onda de sentimentos que invadiram meu ser sem pedir licença ou dar qualquer tipo de aviso prévio. Eu estava diante das Nymphéas de Monet e de repente voltei a ter três anos de idade, voltei ao tempo de cochilos e biscoitos quando a vida era leve, vislumbrei algo em mim que achei que havia perdido.



 Não se enganem, essa não é uma daquelas histórias dignas de “casos de família“, não comecei a chorar histericamente no meio do museu, nem liguei pra minha mãe dizendo que a amava. Naquele momento eu e Monet compartilhamos de algo íntimo, de um momento fugaz, mas cheio de significado. Olhando pra trás vejo essas experiência como um começo (ou será um recomeço?), um primeiro momento naquilo que se tornaria minha caminhada de volta a sensibilidade. De repente avistei uma fresta nos muros sólidos que havia construído dentro de mim.

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