quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Wings for Marie Part 2, por Marina Murad
A experiência trata-se de uma música, Wings For Marie Part. II, da banda Tool, álbum 10.000 days.
Para começar devo dizer que Tool em geral sempre me ofereceu com suas músicas diversos tipos de experiência. No entanto escolhi essa música em particular pois ela é grandiosa, trata de um tema pelo qual me interesso muito, sobre a fé, no entanto é cantada com indignação, e até um pouco de raiva para com os Céus. Essa canção é sobre, e de certa forma, para a mãe do cantor e compositor Maynard James Keenan, que morreu depois de 10.000 dias mantida viva por aparelhos .
A música é como um filme, conforme ela vai sendo revelada para mim imagens de tempestades, anjos, espíritos, o paraíso e até Deus vão se revelando de maneira obscura, enquanto a letra me serve de apoio para montar essas sensações que o ritmo me guia.
No começo da música, tudo acontece sutilmente, mas vai ganhando uma força crescente.
E então ouvimos falar da jornada do herói, e como nós romantizamos isso, e depois se refere a nossa tentativa de ir para o Paraíso com o nosso Deus, e faz um comentário um pouco irônico sobre alguns deveres que devemos cumprir para chegar até nisso. Mas é importante observar que essa ironia não é banal, é uma ironia de indignação, desapontamento.
“Listen to the tales and romanticize,
How we follow the path of the hero”
“Listen to the tales as we all rationalize
Our way into the arms of the savior
Feigning all the trials and the tribulations”
Nesse momento, talvez por já conhecer a música, eu sinto como se estivesse diante do prelúdio de história.
Depois disso fala sobre o fato de ninguém ter chegado tão perto do Paraíso como a mãe dele, e acusa as pessoas que frequentam essas congregações de hipócritas e conclui que nenhuma dessas pessoas poderiam ao menos acender uma vela para ela (a mãe).
“None of us have actually been there,
Not like you...
Ignorant siblings in the congregation
Gather around spewing sympathy,
Spare me...
None of them can even hold a candle up to you,
Blinded by choices these hypocrites won't see
But enough about the collective Judas
Who could deny you were the one who illuminated
your little piece of the divine
This little light of mine, a gift you passed on to me,
I'm gonna let it shine,
to guide you safely on your way”
Em algum momento nessa parte da música tem um som de trovões, como se anunciasse um tempestade. Esse anuncio ocorre quando ele diz “Your way home” , exatamente nesse momento, sinto uma sensação de grandiosidade, e me sinto pequena perante isso, e também em todas a inúmeras vezes que ouvi Wings for Marie, me arripie nesse momento, é como se ele a libertasse para um lugar melhor do que a Terra.
“Your way home...
Ohh, what are they gonna do when the lights go down
without you to guide them all to Zion?
What are they gonna do when the rivers overrun
other than tremble incessantly?
High is the way
But all eyes are upon the ground.
You are the light and the way
They'll only read about
I only pray heaven knows
When to lift you out
10000 days in the fire is long enough.
You're going home..”
Nessa parte da música sinto o desespero da duvida e da incerteza, de uma pessoa que vê outra como o verdadeiro divino, e desconfia que talvez Deus não saiba disso. É triste e bonito.
A parte que vem em seguida é a mais expressiva da música, o cantor se coloca no lugar da mãe que chega aos portões do paraíso, e pede suas asas. Neste ponto, explode a raiva, existe uma cobrança por justiça, é forte, violento.
“You're the only one who can hold your head up high,
Shake your fist at the gates saying,
"I have come home now!
Fetch me the spirit, the son and the father,
Tell them their pillar of faith has ascended.
It's time now!
My time now!
Give me my
Give me my wings!"...
A música termina em uma conclusão, e mais aliviada, como se todo o anterior da música fosse um desabafo mesmo. E é exatamente essa sensação de alivio que eu sinto também ao final dessa música, fico mais leve depois da experiência tempestuosa, forte, agressiva, mas incrivelmente bela que ela me traz.
Não consigo colocar em palavras a experiência real que essa musica me oferece, mas tentarei exemplificar da única maneira que talvez seja possível. Essa música te eleva para outro nível de pensamento, para um lugar que não é material, é imaginado, alimentado somente pela fé ou imaginação, portanto te tira do seu lugar comum, te eleva aos portões do Paraiso. Se essa música fosse uma arte visual, com certeza ela teria o que Walter Benjamin chamou de aura.
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