Recentemente fui ao parque de
diversões Hopi Hari onde o objetivo era conseguir três gravações do percurso na
montanha russa, mas por força do destino e manutenção do brinquedo não
consegui.
Como não podia fazer nada para
resolver o problema, afinal já estava lá dentro com minha esposa e amigos, o
jeito foi se divertir.
Bem que tentei mas as enormes filas
nos brinquedos que funcionavam, (sim! Digo funcionavam porque até em brinquedos
parados tinham filas, na esperança de abrirem mais tarde) ficamos esperando de
duas a três horas pela nossa vez, e no fim do dia todos acabamos andando em 4
brinquedos. Ao cair da noite, começou a “Hora do Terror” mas nossos pés já
estavam torturados por ficar tanto tempo de pé, frustrados por ficar tanto
tempo na fila, enganados por ver diversas pessoas com um cartão chamado “Vip
Pass” que da direito de furar toda fila e ir no brinquedo, contanto que pague
25 reais a mais por cada brinquedo, acanhados porque já não brincávamos uns com
os outros, apenas conversávamos sobre o parque e os deveres que nos esperavam
ao chegar em casa e a fome que sentíamos por não termos almoçado realmente.
Na viagem de volta do parque ficamos
conversando sobre o dia, discutimos sobre o parque, as mortes que já ocorreram
lá, como o lugar parecia mal cuidado e por incrível que pareça apesar das ruas
no parque estarem quase desertas, as filas nos brinquedos eram maior do que
podíamos lembrar. Quando achávamos que não tínhamos mais nada para falar sobre
o parque começamos então a nos lembrar quando garotos que íamos para o Playcenter,
um parque de diversões na Marginal Tiete em São Paulo, nos lembramos de como
era gostoso o dia em que passávamos no parque, as varias vezes que íamos em
diversos brinquedos, algumas vezes encontrávamos até brinquedos radicais com
fila pequena então ficávamos entrando e saindo do brinquedo duas, três vezes,
como era divertido andar pelo parque, mesmo com o fedor do córrego que cruzava
o terreno, ficávamos rindo um da cara do outro dizendo “quem peidou”. Quando
começava escurecer e avisavam pelo megafone do parque que as “Noites do Terror”
tinham começado. Uma mistura de excitação, medo e coragem se misturava com toda
energia que era gasta em gritos, correria e risos, luzes coloridas brilhavam de
todos brinquedos fazendo parecer um campo de naves espaciais.
Brinquedos como a casa mal
assombrada, túnel do terror, labirinto de espelhos e casa das sombras eram os
preferidos durante a noite, pessoas fantasiadas de monstro passeavam pelo
parque assustando as pessoas. Nós, os garotos aproveitávamos para assustar
ainda mais as meninas e quem sabe descolar até uma paquera. Conforme
percebíamos que a noite chegava no fim, alguém ligava de um orelhão para o pai
e marcávamos um ponto de encontro fora do parque.
Quando a carona chegava e entravamos
no carro, era questão de segundos para todos dentro do carro adormecerem e
acordar somente quando chegávamos em casa para duas coisas, tomar banho e
dormir.
De repente como se estivéssemos
marcados um encontro percebemos que o caminho nos fizera passar em frente ao
Playcenter, no lugar de brinquedos, arvores e muitas cores existia apenas um
terreno escuro com terra e mato alto tomando conta. Um silencio fúnebre tomou
conta dentro do carro fazendo com que todos guardassem suas lembranças. Mais
tarde alguém exclamou “no meu tempo...” e foi o suficiente para eu entender que
talvez o problema não era o parque com novas regras, atrações ou mal cuidado,
mas sim nós mesmos que envelhecemos e não queríamos nos divertir em outros parques,
mas sim voltar no tempo da inocência e do analógico, sem vídeo games, celulares
ou qualquer coisa digital.
Ao Chegar em casa e sair do carro aquele
sentimento de infância perdida ainda apertava o peito, que só afrouxou quando
abracei minha esposa e vi que não estava só, mas no mesmo instante como um
puxão digital o celular tocou me trazendo de volta para o futuro; estou com 35
anos de novo.
Picasso,
ResponderExcluiresse post ficou uma fofura (que nem você), rs
Picasso,
ResponderExcluiresse post ficou uma fofura (que nem você), rs