sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Parque de Diversões


Recentemente fui ao parque de diversões Hopi Hari onde o objetivo era conseguir três gravações do percurso na montanha russa, mas por força do destino e manutenção do brinquedo não consegui.
Como não podia fazer nada para resolver o problema, afinal já estava lá dentro com minha esposa e amigos, o jeito foi se divertir.
Bem que tentei mas as enormes filas nos brinquedos que funcionavam, (sim! Digo funcionavam porque até em brinquedos parados tinham filas, na esperança de abrirem mais tarde) ficamos esperando de duas a três horas pela nossa vez, e no fim do dia todos acabamos andando em 4 brinquedos. Ao cair da noite, começou a “Hora do Terror” mas nossos pés já estavam torturados por ficar tanto tempo de pé, frustrados por ficar tanto tempo na fila, enganados por ver diversas pessoas com um cartão chamado “Vip Pass” que da direito de furar toda fila e ir no brinquedo, contanto que pague 25 reais a mais por cada brinquedo, acanhados porque já não brincávamos uns com os outros, apenas conversávamos sobre o parque e os deveres que nos esperavam ao chegar em casa e a fome que sentíamos por não termos almoçado realmente.
Na viagem de volta do parque ficamos conversando sobre o dia, discutimos sobre o parque, as mortes que já ocorreram lá, como o lugar parecia mal cuidado e por incrível que pareça apesar das ruas no parque estarem quase desertas, as filas nos brinquedos eram maior do que podíamos lembrar. Quando achávamos que não tínhamos mais nada para falar sobre o parque começamos então a nos lembrar quando garotos que íamos para o Playcenter, um parque de diversões na Marginal Tiete em São Paulo, nos lembramos de como era gostoso o dia em que passávamos no parque, as varias vezes que íamos em diversos brinquedos, algumas vezes encontrávamos até brinquedos radicais com fila pequena então ficávamos entrando e saindo do brinquedo duas, três vezes, como era divertido andar pelo parque, mesmo com o fedor do córrego que cruzava o terreno, ficávamos rindo um da cara do outro dizendo “quem peidou”. Quando começava escurecer e avisavam pelo megafone do parque que as “Noites do Terror” tinham começado. Uma mistura de excitação, medo e coragem se misturava com toda energia que era gasta em gritos, correria e risos, luzes coloridas brilhavam de todos brinquedos fazendo parecer um campo de naves espaciais.
Brinquedos como a casa mal assombrada, túnel do terror, labirinto de espelhos e casa das sombras eram os preferidos durante a noite, pessoas fantasiadas de monstro passeavam pelo parque assustando as pessoas. Nós, os garotos aproveitávamos para assustar ainda mais as meninas e quem sabe descolar até uma paquera. Conforme percebíamos que a noite chegava no fim, alguém ligava de um orelhão para o pai e marcávamos um ponto de encontro fora do parque.
Quando a carona chegava e entravamos no carro, era questão de segundos para todos dentro do carro adormecerem e acordar somente quando chegávamos em casa para duas coisas, tomar banho e dormir.
De repente como se estivéssemos marcados um encontro percebemos que o caminho nos fizera passar em frente ao Playcenter, no lugar de brinquedos, arvores e muitas cores existia apenas um terreno escuro com terra e mato alto tomando conta. Um silencio fúnebre tomou conta dentro do carro fazendo com que todos guardassem suas lembranças. Mais tarde alguém exclamou “no meu tempo...” e foi o suficiente para eu entender que talvez o problema não era o parque com novas regras, atrações ou mal cuidado, mas sim nós mesmos que envelhecemos e não queríamos nos divertir em outros parques, mas sim voltar no tempo da inocência e do analógico, sem vídeo games, celulares ou qualquer coisa digital.
Ao Chegar em casa e sair do carro aquele sentimento de infância perdida ainda apertava o peito, que só afrouxou quando abracei minha esposa e vi que não estava só, mas no mesmo instante como um puxão digital o celular tocou me trazendo de volta para o futuro; estou com 35 anos de novo.

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