Apaixonada pela história da Segunda Guerra Mundial, em uma viagem à
Alemanha não pude deixar de passar pelos palcos dos principais acontecimentos
da época, isso incluia a visita à um campo de concentração. Decidi ir ao
Sachsenhausen por uma questão de praticidade, para chegar lá era necessário
pegar um trem e depois uma curta caminhada. À primeira vista o lugar não
parecia tão assustador, a entrada é uma grande construção com um portão com a
famosa frase “Arbeit macht
frei” (o trabalho liberta).
A maior parte das construções fora queimada, as que sobraram se
transformaram em museus ou foram preservadas para contar a história, em cada
lugar há uma placa explicando as atrocidades cometidas naquele local. A
temperatura era de -12°, painéis mostravam fotos da época de pessoas trabalhando
na neve, imaginei o quanto devia ser agonizante ter que viver naquelas
condições ainda mais em dias tão frios. Andando passei pelo memorial soviético
e pouco mais à frente, a estação Z, a última estação da vida daquelas pessoas, local
totalmente planejado para matar de forma eficaz. Nessa estação, que foi
destruída (apenas é possível ver o contorno das paredes e um pouco dos
crematórios) há uma grande escultura em memória das vítimas, algo me chamou a
atenção nessa obra, não sei explicar exatamente a sensação que tive, mas foi
algo como uma grande tristeza e um vazio, como se aquela escultura estivesse
mostrando exatamente a realidade sem esperança das pessoas que vivenciaram esse
período. Talvez o local em que está instalada tenha tido grande influência,
pois tudo que se via ao redor eram os restos daquilo que um dia foi um grande matadouro.
Havia várias pessoas no local, mas diferente dos outros lugares que passei pelo
campo lá estava silencioso. Fiquei um bom tempo observando cada detalhe, a
expressão de dor, o contorno dos corpos magros, roupas gastas, a neve caída por
cima das pessoas ali representadas e também observei as flores deixadas no
local. Essa obra de alguma forma conseguiu sugar uma parte minha que estava
adorando o passeio, me fez sentir uma culpa por estar super empolgada ao
visitar um lugar que no passado teve tanto sofrimento, era como se aquelas
pessoas me julgassem. Voltei ao hotel com esse aperto. Esse dia ficou
registrado com muitos detalhes em minha mente, mas com certeza essa obra foi o
que mais me comoveu.
Memorial às Vítimas
Pouco do que restou dos fornos crematórios
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