sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Sachsenhausen - por Laís Moura

Apaixonada pela história da Segunda Guerra Mundial, em uma viagem à Alemanha não pude deixar de passar pelos palcos dos principais acontecimentos da época, isso incluia a visita à um campo de concentração. Decidi ir ao Sachsenhausen por uma questão de praticidade, para chegar lá era necessário pegar um trem e depois uma curta caminhada. À primeira vista o lugar não parecia tão assustador, a entrada é uma grande construção com um portão com a famosa frase “Arbeit macht frei” (o trabalho liberta).
A maior parte das construções fora queimada, as que sobraram se transformaram em museus ou foram preservadas para contar a história, em cada lugar há uma placa explicando as atrocidades cometidas naquele local. A temperatura era de -12°, painéis mostravam fotos da época de pessoas trabalhando na neve, imaginei o quanto devia ser agonizante ter que viver naquelas condições ainda mais em dias tão frios. Andando passei pelo memorial soviético e pouco mais à frente, a estação Z, a última estação da vida daquelas pessoas, local totalmente planejado para matar de forma eficaz. Nessa estação, que foi destruída (apenas é possível ver o contorno das paredes e um pouco dos crematórios) há uma grande escultura em memória das vítimas, algo me chamou a atenção nessa obra, não sei explicar exatamente a sensação que tive, mas foi algo como uma grande tristeza e um vazio, como se aquela escultura estivesse mostrando exatamente a realidade sem esperança das pessoas que vivenciaram esse período. Talvez o local em que está instalada tenha tido grande influência, pois tudo que se via ao redor eram os restos daquilo que um dia foi um grande matadouro. Havia várias pessoas no local, mas diferente dos outros lugares que passei pelo campo lá estava silencioso. Fiquei um bom tempo observando cada detalhe, a expressão de dor, o contorno dos corpos magros, roupas gastas, a neve caída por cima das pessoas ali representadas e também observei as flores deixadas no local. Essa obra de alguma forma conseguiu sugar uma parte minha que estava adorando o passeio, me fez sentir uma culpa por estar super empolgada ao visitar um lugar que no passado teve tanto sofrimento, era como se aquelas pessoas me julgassem. Voltei ao hotel com esse aperto. Esse dia ficou registrado com muitos detalhes em minha mente, mas com certeza essa obra foi o que mais me comoveu.


Memorial às Vítimas


Pouco do que restou dos fornos crematórios




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